Em resposta a um convite do governo norte-americano, o Brasil sinalizou que não deve integrar o “Conselho da Paz” proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A posição foi defendida pelo assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim, que argumentou que a iniciativa contorna a Organização das Nações Unidas (ONU) e representa uma mudança unilateral na governança global.
Amorim afirmou, em entrevista à revista Oeste, que qualquer mecanismo voltado à resolução de conflitos internacionais precisa nascer de uma deliberação formal no âmbito das Nações Unidas. Para o assessor presidencial, a proposta apresentada por Washington “mistura conceitos” e não define limites claros de atuação, o que geraria incerteza institucional.
A rejeição brasileira reflete a linha diplomática do governo Lula, que tem reafirmado o multilateralismo e o fortalecimento de organismos internacionais como pilares de sua política externa. A posição evidencia um alinhamento distinto daquele mantido no governo anterior, que adotou postura mais próxima da administração Trump.
A proposta de criação de um Conselho da Paz pelos Estados Unidos ainda não tem contornos públicos detalhados, mas, segundo analistas, pode representar uma tentativa de reformular espaços de mediação internacional fora da estrutura tradicional da ONU.
O Palácio do Planalto não detalhou se a resposta ao convite já foi formalmente enviada à Casa Branca.