O custo da cesta básica subiu em todas as 17 capitais monitoradas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) ao longo de 2024, impactando diretamente o orçamento das famílias brasileiras. Em dezembro, o salário mínimo necessário para cobrir as despesas básicas de uma família de quatro pessoas foi calculado em R$ 7.067,68 — 5,01 vezes o valor do mínimo oficial, fixado em R$ 1.412,00. No mesmo período do ano anterior, esse valor era estimado em R$ 6.439,62.
O aumento no custo da cesta básica foi impulsionado por diversos fatores, incluindo mudanças climáticas, aumento na demanda externa e a desvalorização do real frente ao dólar. Esses elementos contribuíram para a elevação dos preços de itens essenciais em todas as capitais analisadas. Entre os produtos que registraram as maiores altas estão carne bovina, leite integral, arroz, café em pó, banana e óleo de soja.
A alta nos preços desses itens essenciais reflete diretamente no orçamento das famílias de baixa renda, que destinam uma parcela significativa de sua renda para a aquisição de alimentos. “O cenário de aumento no custo da cesta básica é preocupante, pois compromete ainda mais a segurança alimentar de milhões de brasileiros”, afirmou um analista do DIEESE.
A carne bovina, por exemplo, continua sendo um dos itens de maior impacto no cálculo da cesta básica. A alta no preço desse produto foi impulsionada pelo aumento na demanda de exportação, especialmente para países asiáticos, além de custos de produção elevados. O leite integral e seus derivados também ficaram mais caros devido às condições climáticas adversas que afetaram a produção de pastagens.
O DIEESE reforça que o cenário de aumento generalizado nos preços de itens básicos exige medidas que mitiguem os impactos da inflação sobre as famílias de menor poder aquisitivo. Entre as possíveis soluções, estão políticas de controle de preços, estímulos à produção agrícola e programas sociais que assegurem o acesso a alimentos para a população vulnerável.
Com o início de 2025, o DIEESE alerta que a tendência de aumento nos preços pode persistir, caso os fatores estruturais que impulsionaram os custos em 2024 não sejam efetivamente enfrentados. A expectativa é de que o governo e as instituições tomem medidas coordenadas para aliviar o peso desse cenário para a população.
