A Justiça do Trabalho de Feira de Santana condenou uma família da cidade ao pagamento de R$ 1,45 milhão a uma trabalhadora doméstica submetida a condições análogas à escravidão por mais de 40 anos. A decisão, da 5ª Vara do Trabalho local, ainda cabe recurso.
A mulher, hoje com 59 anos, começou a trabalhar para a família aos 16 anos, em 1982. Ela trabalhava em tempo integral, sem salário fixo, férias ou folgas, e morava em um espaço precário na residência. Parte desse período foi vivida em Santo Antônio de Jesus.
Os empregadores alegaram que ela era “acolhida” como família, mas uma perícia confirmou a assinatura da patroa na carteira de trabalho em 2004 e recolhimentos previdenciários até 2009, comprovando o vínculo empregatício.
O juiz classificou o caso como uma “forma moderna de senzala”, destacando que pequenos pagamentos serviam para mascarar a exploração.