O governo do Rio Grande do Norte, comandado pela governadora Fátima Bezerra (PSB), instituiu um auxílio financeiro de R$ 500 mensais direcionado a adolescentes e jovens que cumpriram medidas socioeducativas. Batizada popularmente de “Bolsa Crime”, a iniciativa tem como objetivo formal facilitar a reintegração social desse público, mas tem sido alvo de fortes críticas de setores da sociedade.
De acordo com a proposta, o benefício poderá ser recebido por até um ano, desde que os jovens atendidos estejam matriculados na escola e participem de um acompanhamento técnico, com um “projeto de vida” devidamente pactuado com a equipe responsável. A justificativa oficial é a de que a bolsa serviria como um suporte temporário para evitar a reincidência criminal, oferecendo um caminho alternativo à marginalização.
Entretanto, a medida dividiu opiniões. Críticos argumentam que o Estado estaria, de certa forma, “premiando” quem já cometeu infrações, enquanto jovens que sempre seguiram a lei não recebem incentivos semelhantes para estudar ou se qualificar. O debate ganhou força nas redes sociais e em grupos políticos, com questionamentos sobre o possível caráter perverso do incentivo e o risco de desconsiderar aqueles que cumprem as normas sociais sem qualquer tipo de apoio financeiro governamental.
A discussão segue aberta: programas sociais direcionados a ex-infratores são eficazes na prevenção de novos crimes, ou acabam por enviar uma mensagem equivocada à sociedade? Enquanto isso, o governo potiguar defende a medida como uma política de redução de danos e inclusão social voltada a um grupo em situação de extrema vulnerabilidade.